Não sei exatamente quantos discos de vinil eu tenho e não sei exatamente sobre quantos vou escrever, mas vou inaugurar uma série de Posts, sobre os discos de Vinil que tenho e que me acompanhariam a ilha de Lost, se lá tiver um toca discos de Vinil.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Meus discos de Vinil preferidos: A série.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Autografo
“Michelangelo, você sabe muito sobre ele: sua obra, aspirações políticas, ele e o papa, tendências sexuais, tudo. Mas não pode falar do cheiro da Capela Sistina. Nunca esteve lá, nem olhou aquele teto lindo. Nunca o viu.” – Trecho de um dialogo do filme Gênio Indomável
Eu me lembro bem da primeira celebridade que conheci pessoalmente, mas por ironia, não me lembro quem era. Me lembro da situação: Meu pai que trabalhou algum tempo em uma radio difusora em nossa cidade, quis que eu conhecesse o estúdio da radio local. Conhecemos o estúdio e um artista estava sendo entrevistado e nos deu um “oi”. Meu pai sempre dizia quem era ele, mas confesso que não me lembro, posso até perguntá-lo agora sobre isso, mas prefiro não fazê-lo, porque seu nome é o menos importante. O importante é que naquele instante nasceu um sentimento que me acompanha até hoje e que se renova de vez em quando. O momento de conhecer uma pessoa que admiro e ganhar deste um autografo.
Existe algo de mágico de receber um autografo. O primeiro que recebi foi do poeta intinerante Roraima Alves da Costa, um poeta que viaja (ou viajava, perdi contato) pelas escolas do Brasil vendendo seus livros de poesia e em conseqüência, autografando-os. Tenho o livro até hoje, muito bem guardado e vez por outra o leio. Este foi o único autografo que recebi antes de conhecer o trabalho de alguém. Sempre procuro autografo de pessoas que admiro muito. Depois deste primeiro, vieram: Mauricio Pereira, Kika Seixas, Roger Rocha Moreira, Prof. Antonio Marmo, Inezita Barroso (que autografou um pedaço de papel de serviço), Pena Branca, Xavantinho, Renato Teixeira, Pedro Cameron, Caçulinha, Braguinha (não o compositor de Carinho) e finalmente, ontem Pery Ribeiro.
Eu já tinha tentado vê-lo outras vezes que ele veio até minha cidade, mas nunca havia conseguido. Ontem, com um pouco de atraso, fiquei sabendo que ele estaria autografando o livro “Minhas duas estrelas” na abertura da exposição em homenagem a sua mãe Dalva de Oliveira. Eu já queria comprar o livro, porque sempre fui fã de Herivelto, de certa forma, até mais que minha co-conterrânea Dalva. Não que tenha algo contra sua voz clara e afinadíssima, inspiração para toda a minha família de músicos, mas o ato de compor e arranjar e tocar ao violão sempre foi o elo que me interessou e por isso Herivelto com suas mais de 700 composições sempre me atraiu profundamente. Assisti com certo desprezo a mini série Global. Não desprezo pelos atores, figurino ou produção, mas pela falta de música na mini-série e historias destas. E pela polarização característica das tramas globais, onde bom é bom e ruim é péssimo!
Pois fui lá. Comprei o livro, olhei a exposição e, enquanto aguardava o inicio dos autógrafos, um grupo fez uma entrevista, de uns 40 minutos com ele. Fiquei a cerca de 10 metros de Pery. Quase tudo o que foi perguntado e o que ele respondeu eu já sabia e quase poderia responder a entrevista por ele. Mas não poderia. Aquele homem de pele morena, cabelos cacheados olhos verdes, transmitia algo que por mais que eu o conheça, eu ainda não o conheço.
Ele transmite uma calma, uma alegria e uma felicidade, seus olhos brilham cada vez que sua voz melodiosa, pausada e forte pronuncia as palavras Dalva e Herivelto, Mamãe e Papai. Um senhor que afirma ter passado por cima (literalmente) de Silvio Caldas e Nelson Gonçalves para poder chegar ao ônibus escolar, quando estes dormiam em suas casas. Este brilho nunca havia visto pela TV.
- Você sabia que ele foi o primeiro a gravar Garota de Ipanema? – Disse um senhor para mim. Mas não pude responder. Eu só conseguia ouvir as historias que Pery Ribeiro contava para a equipe de reportagem e indiretamente para mim.
Fiz algumas fotos, tentei não usar o flash, mas ele disparou por acidente e ele olhou fixamente para mim.
Algumas pessoas estavam impacientes que a entrevista se estendia, mas eu ficaria ali ouvindo suas palavras mansas. Palavras de quem passou pelos melhores momentos da Música Popular Brasileira e tem consciência disso.
Eu queria ouvi-lo cantar. Mas pelo que me informaram a noite seria apenas de autógrafos.
Quando chegou minha vez, só pude dizer meu nome, seguido de um – “Por mim, ficaria a noite toda ouvindo suas historias, a entrevista foi deliciosa!” Queria dizer mais, queria dizer que o admirava como cantor, que admirava o pai dele como compositor, sua mãe como interprete, que “Ave Maria no Morro” cantada pelo Scorpions me fez conhecido na Internet, que eu tenho o disco do Trio Los Panchos com Caminhemos, que meus avós conheceram Vicentina e muito mais, mas a sinusite e o momento não foram pra isso.
Peguei meu livro e disse apenas – “Um prazer enorme conhecê-lo!”. Ao que ele me respondeu com um sorriso – “Prazer todo meu!”.
Este homem que conheceu o cheiro dos que eu admiro de ouvir, ler e ver fotos, me presenteou com um pouco de sua existência, uma assinatura num papel com seu próprio cheiro, sua leitura dos fatos, sua própria musica e sua felicidade.
É há algo de mágico nos autógrafos.
sexta-feira, 12 de março de 2010
20 Coisas que me deixam profundamente irritado !
Não em ordem de irritação.
1. Enya.
2. Alguem querer falar comigo enquanto toca Bohemian Rapsody no radio.
3. Eu ter de repetir uma explicação minuciosa, depois de ter repetido a explicação minuciosa, minuciosamente !
4. Alguem que eu não conheço, vir me contar uma piada de corinthiano.
5. Descobrir que o pneu da bicicleta tá furado, 4,5 km depois de sair pedalar e exatamente 4,5 km do destino e descobrir que as bicicletarias de Rio Claro fecham para almoço.
6. Escrever uma mensagem imensa no celular e quando faltam as últimas 3 letras, apertar sem querer o send e enviar a mensa
7. Ter que reescrever a mensagem e enviar novamente antes de termin
8. Chegam meus pais em casa sem serem anunciados pelo porteiro, quando estou atendendo a porta, toca o interfone. Não sei se atendo a porta ou o interfone. Opto pela porta - "Espera um pouquinho que vou ver o que é no interfone". Quando atendo, a portaria desligou. Ligo lá e o porteiro diz - "Seu pai tá subindo!" A vá? Não diga !
9. Combinar com amigos de sair, ai voce pergunta "Onde vamos?", eles respondem "Qualquer lugar!", vc responde "Então vamos no Pacheco´s!", "Ah não, lá não é legal!"
10. A garçonete diz: Hj temos uma opção só. O senhor vai querer o que ? Fico pensando: Fugir? Uma partidinha de truco ? Esganar garçonetes ?
11. Cabo USB ! U significa Universal ! Porque existem 500 tipos de cabos USB ? Se é Universal deveria ter um só ! Cada aparelho que tenho exige um U unico e intransferivel !
12. Curling !
13. Eu dizer que gosto de Queen e a pessoa dizer - "Freddie Mercury era gay sabia?" - Ah vá ? Ele contou só pra voce, né !
14. Receber uma ligação 4:00hs da madrugada de uma senhora que quer te processar por não ter feito o serviço de eletricidade na casa dela !
15. Responder um questionario imenso de pesquisa de mercado por telefone e meia hora depois, lá pela pergunta 234 o operador dizer - "Em que bairro o senhor mora?" "Jardim Paulista II" "Senhor, este bairro não está cadastrado" (...) Pausa (...) Pausa (...) "Senhor que cidade o senhor está falando?" "Rio Claro!" "Senhor, me desculpe, mas esta entrevista deve ser feita só com consumidores de Limeira ! Muito obrigado por sua participação !"
16. "Esta ligação está sendo gravada para sua segurança!" Ah é ? E como é que eu faço pra conseguir a cópia ? Não faz, né ?
17. Quando eu falo que fui pra Paris, alguem pergunta: "Voce viu a torre Eifel?" - Infelizmente o dia que fui, ela tava emprestada pra Cuba !
18. Eu dizer que fiz fisica e ouvir - "Eu odeio fisica !". Eu odeio sair por ai agredindo pessoas, no entanto...
19. Estar numa apresentação musical (de preferencia audição de violão classico, violino, harpa, flauta doce, em orquestra sinfonica ou rock não é tão legal), ai começa tocar um celular. Ninguem desliga, mas o desconforto é geral. Quando vc tá a ponto de gritar, nota que o celular é o seu !
20. No banheiro voce atende e ouve "Nersão, nersão !!!! Tá me ouvindo ? E´ o Nersão ????"
1. Enya.
2. Alguem querer falar comigo enquanto toca Bohemian Rapsody no radio.
3. Eu ter de repetir uma explicação minuciosa, depois de ter repetido a explicação minuciosa, minuciosamente !
4. Alguem que eu não conheço, vir me contar uma piada de corinthiano.
5. Descobrir que o pneu da bicicleta tá furado, 4,5 km depois de sair pedalar e exatamente 4,5 km do destino e descobrir que as bicicletarias de Rio Claro fecham para almoço.
6. Escrever uma mensagem imensa no celular e quando faltam as últimas 3 letras, apertar sem querer o send e enviar a mensa
7. Ter que reescrever a mensagem e enviar novamente antes de termin
8. Chegam meus pais em casa sem serem anunciados pelo porteiro, quando estou atendendo a porta, toca o interfone. Não sei se atendo a porta ou o interfone. Opto pela porta - "Espera um pouquinho que vou ver o que é no interfone". Quando atendo, a portaria desligou. Ligo lá e o porteiro diz - "Seu pai tá subindo!" A vá? Não diga !
9. Combinar com amigos de sair, ai voce pergunta "Onde vamos?", eles respondem "Qualquer lugar!", vc responde "Então vamos no Pacheco´s!", "Ah não, lá não é legal!"
10. A garçonete diz: Hj temos uma opção só. O senhor vai querer o que ? Fico pensando: Fugir? Uma partidinha de truco ? Esganar garçonetes ?
11. Cabo USB ! U significa Universal ! Porque existem 500 tipos de cabos USB ? Se é Universal deveria ter um só ! Cada aparelho que tenho exige um U unico e intransferivel !
12. Curling !
13. Eu dizer que gosto de Queen e a pessoa dizer - "Freddie Mercury era gay sabia?" - Ah vá ? Ele contou só pra voce, né !
14. Receber uma ligação 4:00hs da madrugada de uma senhora que quer te processar por não ter feito o serviço de eletricidade na casa dela !
15. Responder um questionario imenso de pesquisa de mercado por telefone e meia hora depois, lá pela pergunta 234 o operador dizer - "Em que bairro o senhor mora?" "Jardim Paulista II" "Senhor, este bairro não está cadastrado" (...) Pausa (...) Pausa (...) "Senhor que cidade o senhor está falando?" "Rio Claro!" "Senhor, me desculpe, mas esta entrevista deve ser feita só com consumidores de Limeira ! Muito obrigado por sua participação !"
16. "Esta ligação está sendo gravada para sua segurança!" Ah é ? E como é que eu faço pra conseguir a cópia ? Não faz, né ?
17. Quando eu falo que fui pra Paris, alguem pergunta: "Voce viu a torre Eifel?" - Infelizmente o dia que fui, ela tava emprestada pra Cuba !
18. Eu dizer que fiz fisica e ouvir - "Eu odeio fisica !". Eu odeio sair por ai agredindo pessoas, no entanto...
19. Estar numa apresentação musical (de preferencia audição de violão classico, violino, harpa, flauta doce, em orquestra sinfonica ou rock não é tão legal), ai começa tocar um celular. Ninguem desliga, mas o desconforto é geral. Quando vc tá a ponto de gritar, nota que o celular é o seu !
20. No banheiro voce atende e ouve "Nersão, nersão !!!! Tá me ouvindo ? E´ o Nersão ????"
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Esqueci minha vida!
Perdeu-se uma vida inteira em forma de uma agenda preta por fora, letras douradas e um divisor de páginas azul.
Este livro tem todas as informações de minha vida: Tipo sanguíneo, minhas alergias, minhas contas bancarias, meus compromissos, meu passado, meu futuro. Minhas alegrias, meu aniversário, o plano de construir a casa e o orçamento para trocar de carro.
O número de telefone de meus pais e as datas de aniversário de meus filhos.
Na página inicial uns rabiscos de um projeto que poderá me deixar rico, nas últimas páginas uns pedidos de presentes de alguém.
Tem endereços de fornecedores e quanto cada um de meus clientes me deve.
Não me lembro o trajeto que fiz com ela, mas devo tê-la esquecida em algum caixa eletrônico ou algum fast-food. Com certeza não o deixei no banco da praça – que nele não parei, não no cinema e pouco provavelmente na biblioteca.
Se você encontrar este livro que tanto valor tem para mim, poderá verificar o número de meu telefone na primeira contra-capa, onde também constam meus endereços – o de casa e o da chácara.
Mas peço que ao encontrá-lo, destrua-o. Por favor, resista à tentação de me devolvê-la, você não será recompensado.
Descobri que sem ele, não preciso me preocupar com minhas alergias que talvez já esteja curado da maioria delas, não preciso saber quem me deve, nem quanto tenho a pagar, não preciso me antecipar ao futuro, ele chegará. Descobri que as datas realmente importantes de alguma maneira eu me lembro delas, não preciso anotá-las.
Se você encontrar este livro, destrua-o. Todos os nomes que constam nele agradecem.
Este livro tem todas as informações de minha vida: Tipo sanguíneo, minhas alergias, minhas contas bancarias, meus compromissos, meu passado, meu futuro. Minhas alegrias, meu aniversário, o plano de construir a casa e o orçamento para trocar de carro.
O número de telefone de meus pais e as datas de aniversário de meus filhos.
Na página inicial uns rabiscos de um projeto que poderá me deixar rico, nas últimas páginas uns pedidos de presentes de alguém.
Tem endereços de fornecedores e quanto cada um de meus clientes me deve.
Não me lembro o trajeto que fiz com ela, mas devo tê-la esquecida em algum caixa eletrônico ou algum fast-food. Com certeza não o deixei no banco da praça – que nele não parei, não no cinema e pouco provavelmente na biblioteca.
Se você encontrar este livro que tanto valor tem para mim, poderá verificar o número de meu telefone na primeira contra-capa, onde também constam meus endereços – o de casa e o da chácara.
Mas peço que ao encontrá-lo, destrua-o. Por favor, resista à tentação de me devolvê-la, você não será recompensado.
Descobri que sem ele, não preciso me preocupar com minhas alergias que talvez já esteja curado da maioria delas, não preciso saber quem me deve, nem quanto tenho a pagar, não preciso me antecipar ao futuro, ele chegará. Descobri que as datas realmente importantes de alguma maneira eu me lembro delas, não preciso anotá-las.
Se você encontrar este livro, destrua-o. Todos os nomes que constam nele agradecem.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Um mundo de prioridades, mas que chato.
Escrevi o texto abaixo há 3 anos, para a revista Frequencia Livre, uma revista muito interessante de aviação.
Como ontem o Rubens Barrichello venceu a corrida, me lembrei do texto e resolvi posta-lo. Não sei se alguem da F.L. recebeu na época, vamos tentar novamente.
------------------------------------------------------------------------------------------------
Um mundo de prioridades, mas que chato.
Sempre tenho que responder uma pergunta para os meus alunos: “Pra que serve essa matéria ?”. Para os alunos acostumados aos computadores que são clicados, programar parece uma coisa sem importância nenhuma, mesmo que o curso deles seja de programação. “Pra que aprender a ordenação pelo método de bolhas, professor ? Pra ordenar basta clicar no ícone ?”. Explicar para estes profissionais em formação que nem tudo que se aprende serve para ser usado, mas para aprender, é tão complicado quanto ensinar a matéria em si. Me lembro, que uma vez passei uma pesquisa para os alunos sugerirem melhorias no curso e um iluminado escreveu: “Professor, axo que divia diminuir as aulas de portugues e almentar as de laboratório”. Fiquei pensando que talvez ele tivesse razão, afinal de contas, com seu português dos primeiros homo sapiens, ele se fez entender.
Agora além dessa já tradicional pergunta, os alunos acrescentaram mais uma: “Porque o Brasil precisa de um astronauta ?”. Talvez perguntem isso pra mim, porque tenho cabelo sempre desalinhado, uma foto do Einstein na sala e um diploma de físico ao lado, ou então porque acham que eu sei. A minha resposta tem sido sempre a mesma: “O Brasil está mostrando que deseja participar da exploração espacial, que temos pessoal qualificado ...” e justificativas e justificativas e justificativas.
Algumas coisas não estão passando bem pela garganta de alguns brasileiros com essa historia de astronauta. A primeira é que Marcos Pontes não é o primeiro astronauta da historia. Pois é, brasileiro não gosta de ser segundo em nada. Me lembro que uma vez eu estava explicando que muito provavelmente os irmãos Wright voaram de fato antes do brasileiro, porém tal vôo não foi registrado e... antes que eu pudesse concluir, fui chamado de anti-nacionalista, comunista e fedido. Não, brasileiro não aceita ser segundo. Não aceita o Barrichello como segundo piloto da Ferrari, mesmo sendo Ferrari e não aceita Guga se não for o primeiro do ranking da ATP (Seja lá o que isso signifique).
Algumas pessoas simplificam demais as coisas e dizem que ele é um “turista” que custou certa cifra aos cofres públicos. Turista ? Me sinto meio ofendido com essa afirmação, porque nunca me considerei um turista quando fazia minhas horas de vôo a bordo do Paulistinha do Aeroclube de Rio Claro, com o Instrutor berrando, mesmo ele decolando, aterrissando e fazendo a maior parte das manobras.
Outros então argumentam que essa viagem é uma forma de distrair a opinião pública dos problemas dignos de CPIs – como se estes já não fossem auto-distrativos por si só, numa simplificação digna dos irmãos Grimm. Por essa cifra contrata-se bons publicitários, faz-se um show na praia de Copacabana, ou um épico para o cinema, ou compra-se todos os juizes da copa. Tudo isso, com melhores resultados imediatos.
Estou ficando preocupado com isso. O povo brasileiro, doravante chamado de eleitor, está passando a acreditar na mentira que político consegue tudo. Claro que pessoas que tem a capacidade de escapar da cassação de mandato, de fazer desaparecer milhares de dólares, de não ver o que viu, de fazer, como os homens de preto, a memória coletiva esquecer que votaram contra o aumento do salário mínimo ou a favor do aumento de impostos, parecem ter dons sobrenaturais. Eu me recuso a acreditar que temos um astronauta em órbita por vontade de um político e não por seus méritos próprios – Não vou me deixar capitular.
O Astrônomo Roberto Boczko contou uma vez que ele e sua equipe se deslocaram a uma cidade onde seria possível observar um eclipse total do Sol. A pequena cidade praticamente parou com a chegada das pessoas, seus equipamentos e a expectativa de ser o melhor lugar do planeta para se ver o efeito. O prefeito, porém ficou preocupado porque o fenômeno aconteceria numa quinta-feira e caso decretasse feriado, os funcionários públicos “emendariam” a sexta. A câmara de vereadores então fez uma carta solicitando a transferência do fenômeno da quinta para a sexta-feira. Tá bom, tudo bem que os políticos acreditem nesse poder sobrenatural deles, mas daí o eleitor aceitar isso como verdade universal já é demais.
Agora de matar é o argumento que essa viagem não é prioridade. Até entendo quem assim argumente, mas fiquei surpreso ao me deparar com tal argumentação na revista Frequência Livre, uma revista de aviação. Explico: Já imaginou um mundo em que vivêssemos apenas para as prioridades da vida ? Ir para o serviço de ônibus, almoçar carboidratos, fibras e vitaminas rigidamente pesados e recomendados pela comissão de prioridades alimentares, para beber: água e sexo só para reprodução. Extinguir-se-iam as corridas de formula-1, os ultraleves seriam proibidos, pois a prioridade é transporte de cargas de alimentos e medicamentos, os músicos seriam presos e os que resistissem fuzilados, pois não existe nada menos prioritário que música. Feiras como EAB, Oshkosh e outras, só para empresários, mediante “consumação mínima”.
Eu seria proibido de ficar as tardes de domingo no aeroclube fotografando aviões, pois a prioridade é o supra-citado vôo de transporte de carga e a prioridade na minha casa, no momento é resolver um vazamento na calha de chuva, revistas só as que tratam de política e a minha querida Freqüência Livre seria extinta por decreto, relógios Cássio e nunca um Brietling. Meu tal aluno, não teria mais suas tão detestáveis aulas de português, aprenderia a clicar ao invés de programar e todos viveríamos felizes.
Todos ? Eu não. Aprendi nessas horas de vôo de Paulistinha, de admirar os inúteis ultraleves, de curtir formula-1 ao invés dos prioritários Sedãs Populares de rua e passar a tarde toda num aeroclube pra fazer uma única foto decente de um planador na curta final que o que torna a vida interessante são as coisas que não são prioridade. Melhor que a TAM é o museu que a TAM está construindo em São Carlos, melhor que os negócios na EAB é o show de paraquedismo, melhor que os aviões de transporte da FAB é a esquadrilha da fumaça, melhor que ter um antipático Schumacher é ter um gente fina Barrichello e muito, mas muito melhor que ter um cosmonauta que fala russo é ter um sorridente Marcos Pontes que fala português e que nasceu na capital mundial das térmicas: Bauru ! (quem já voou de planador sabe do que estou falando).
Então, repensando minha brasileiridade, resolvi que minha resposta daqui para frente mudará, à tradicional pergunta “Prof. porque preciso aprender isso ?” a resposta será: “Os medíocres aprendem o essencial, os bons vão além !”. E a agora nova pergunta: “Ter um astronauta brasileiro é prioridade?”, a resposta será: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.
Quando perdermos a esperança em nossas qualidades, ai sim os políticos terão o poder que tanto sonham.
Samuel: Não concluiu o curso para brevet, mas não se arrepende de ter feito aulas, continua fotografando planadores no aeroclube e contratou um encanador para resolver o problema da calha. Continuará comprando a revista Freqüência Livre porque odeia viver de prioridades.
Barrichello: Mudou de equipe e ontem marcou os dois primeiros pontos para a sua equipe, depois de ter largado na última fila.
Meu aluno, mantido anônimo por razões obvias, diçe que leo esse testo, mais augumas coiza num entedeu.
Marcos Pontes: Continua em Órbita.
Samuel Corrêa Bueno (03/04/2006)
Como ontem o Rubens Barrichello venceu a corrida, me lembrei do texto e resolvi posta-lo. Não sei se alguem da F.L. recebeu na época, vamos tentar novamente.
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Um mundo de prioridades, mas que chato.
Sempre tenho que responder uma pergunta para os meus alunos: “Pra que serve essa matéria ?”. Para os alunos acostumados aos computadores que são clicados, programar parece uma coisa sem importância nenhuma, mesmo que o curso deles seja de programação. “Pra que aprender a ordenação pelo método de bolhas, professor ? Pra ordenar basta clicar no ícone ?”. Explicar para estes profissionais em formação que nem tudo que se aprende serve para ser usado, mas para aprender, é tão complicado quanto ensinar a matéria em si. Me lembro, que uma vez passei uma pesquisa para os alunos sugerirem melhorias no curso e um iluminado escreveu: “Professor, axo que divia diminuir as aulas de portugues e almentar as de laboratório”. Fiquei pensando que talvez ele tivesse razão, afinal de contas, com seu português dos primeiros homo sapiens, ele se fez entender.
Agora além dessa já tradicional pergunta, os alunos acrescentaram mais uma: “Porque o Brasil precisa de um astronauta ?”. Talvez perguntem isso pra mim, porque tenho cabelo sempre desalinhado, uma foto do Einstein na sala e um diploma de físico ao lado, ou então porque acham que eu sei. A minha resposta tem sido sempre a mesma: “O Brasil está mostrando que deseja participar da exploração espacial, que temos pessoal qualificado ...” e justificativas e justificativas e justificativas.
Algumas coisas não estão passando bem pela garganta de alguns brasileiros com essa historia de astronauta. A primeira é que Marcos Pontes não é o primeiro astronauta da historia. Pois é, brasileiro não gosta de ser segundo em nada. Me lembro que uma vez eu estava explicando que muito provavelmente os irmãos Wright voaram de fato antes do brasileiro, porém tal vôo não foi registrado e... antes que eu pudesse concluir, fui chamado de anti-nacionalista, comunista e fedido. Não, brasileiro não aceita ser segundo. Não aceita o Barrichello como segundo piloto da Ferrari, mesmo sendo Ferrari e não aceita Guga se não for o primeiro do ranking da ATP (Seja lá o que isso signifique).
Algumas pessoas simplificam demais as coisas e dizem que ele é um “turista” que custou certa cifra aos cofres públicos. Turista ? Me sinto meio ofendido com essa afirmação, porque nunca me considerei um turista quando fazia minhas horas de vôo a bordo do Paulistinha do Aeroclube de Rio Claro, com o Instrutor berrando, mesmo ele decolando, aterrissando e fazendo a maior parte das manobras.
Outros então argumentam que essa viagem é uma forma de distrair a opinião pública dos problemas dignos de CPIs – como se estes já não fossem auto-distrativos por si só, numa simplificação digna dos irmãos Grimm. Por essa cifra contrata-se bons publicitários, faz-se um show na praia de Copacabana, ou um épico para o cinema, ou compra-se todos os juizes da copa. Tudo isso, com melhores resultados imediatos.
Estou ficando preocupado com isso. O povo brasileiro, doravante chamado de eleitor, está passando a acreditar na mentira que político consegue tudo. Claro que pessoas que tem a capacidade de escapar da cassação de mandato, de fazer desaparecer milhares de dólares, de não ver o que viu, de fazer, como os homens de preto, a memória coletiva esquecer que votaram contra o aumento do salário mínimo ou a favor do aumento de impostos, parecem ter dons sobrenaturais. Eu me recuso a acreditar que temos um astronauta em órbita por vontade de um político e não por seus méritos próprios – Não vou me deixar capitular.
O Astrônomo Roberto Boczko contou uma vez que ele e sua equipe se deslocaram a uma cidade onde seria possível observar um eclipse total do Sol. A pequena cidade praticamente parou com a chegada das pessoas, seus equipamentos e a expectativa de ser o melhor lugar do planeta para se ver o efeito. O prefeito, porém ficou preocupado porque o fenômeno aconteceria numa quinta-feira e caso decretasse feriado, os funcionários públicos “emendariam” a sexta. A câmara de vereadores então fez uma carta solicitando a transferência do fenômeno da quinta para a sexta-feira. Tá bom, tudo bem que os políticos acreditem nesse poder sobrenatural deles, mas daí o eleitor aceitar isso como verdade universal já é demais.
Agora de matar é o argumento que essa viagem não é prioridade. Até entendo quem assim argumente, mas fiquei surpreso ao me deparar com tal argumentação na revista Frequência Livre, uma revista de aviação. Explico: Já imaginou um mundo em que vivêssemos apenas para as prioridades da vida ? Ir para o serviço de ônibus, almoçar carboidratos, fibras e vitaminas rigidamente pesados e recomendados pela comissão de prioridades alimentares, para beber: água e sexo só para reprodução. Extinguir-se-iam as corridas de formula-1, os ultraleves seriam proibidos, pois a prioridade é transporte de cargas de alimentos e medicamentos, os músicos seriam presos e os que resistissem fuzilados, pois não existe nada menos prioritário que música. Feiras como EAB, Oshkosh e outras, só para empresários, mediante “consumação mínima”.
Eu seria proibido de ficar as tardes de domingo no aeroclube fotografando aviões, pois a prioridade é o supra-citado vôo de transporte de carga e a prioridade na minha casa, no momento é resolver um vazamento na calha de chuva, revistas só as que tratam de política e a minha querida Freqüência Livre seria extinta por decreto, relógios Cássio e nunca um Brietling. Meu tal aluno, não teria mais suas tão detestáveis aulas de português, aprenderia a clicar ao invés de programar e todos viveríamos felizes.
Todos ? Eu não. Aprendi nessas horas de vôo de Paulistinha, de admirar os inúteis ultraleves, de curtir formula-1 ao invés dos prioritários Sedãs Populares de rua e passar a tarde toda num aeroclube pra fazer uma única foto decente de um planador na curta final que o que torna a vida interessante são as coisas que não são prioridade. Melhor que a TAM é o museu que a TAM está construindo em São Carlos, melhor que os negócios na EAB é o show de paraquedismo, melhor que os aviões de transporte da FAB é a esquadrilha da fumaça, melhor que ter um antipático Schumacher é ter um gente fina Barrichello e muito, mas muito melhor que ter um cosmonauta que fala russo é ter um sorridente Marcos Pontes que fala português e que nasceu na capital mundial das térmicas: Bauru ! (quem já voou de planador sabe do que estou falando).
Então, repensando minha brasileiridade, resolvi que minha resposta daqui para frente mudará, à tradicional pergunta “Prof. porque preciso aprender isso ?” a resposta será: “Os medíocres aprendem o essencial, os bons vão além !”. E a agora nova pergunta: “Ter um astronauta brasileiro é prioridade?”, a resposta será: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.
Quando perdermos a esperança em nossas qualidades, ai sim os políticos terão o poder que tanto sonham.
Samuel: Não concluiu o curso para brevet, mas não se arrepende de ter feito aulas, continua fotografando planadores no aeroclube e contratou um encanador para resolver o problema da calha. Continuará comprando a revista Freqüência Livre porque odeia viver de prioridades.
Barrichello: Mudou de equipe e ontem marcou os dois primeiros pontos para a sua equipe, depois de ter largado na última fila.
Meu aluno, mantido anônimo por razões obvias, diçe que leo esse testo, mais augumas coiza num entedeu.
Marcos Pontes: Continua em Órbita.
Samuel Corrêa Bueno (03/04/2006)
quinta-feira, 5 de março de 2009
Excomungados!
Eu me considero uma pessoa de fé. Milagrosamente, sem trocadilho, creio em Deus criador e Cristo como Seu Filho e Salvador.
Mas por alguma razão tenho uma certa restrição a igrejas. Apesar de ser atuante em minha igreja, sou muito critico a ela e as alheias - Principalmente as que dividem a mesma fé. Me acho neste direito, uma vez que, como disse creio em Deus.
Fiquei muito perplexo com a atitude de alguns representantes da igreja catolica que resolveram excomungar a mãe e médicos que assistiram a menina de 9 anos engravidada pelo padrasto.
Fiquei perplexo porque acredito (e não mais creio) que a igreja catolica não é uma instituição que apenas dá conselhos sem po-los em prática. Um aspecto que poucos veem é que esta instituição é responsável por grande parte dos orfanatos que cuidam de crianças que de alguma maneira não foram assistidas por suas famílias.
Eu acho (e não mais acredito) que esta instituição quando diz que é a favor da vida e que é contra, por exemplo métodos contraconceptivos, não apenas diz, mas coloca a sociedade uma estrutura para abrigar crianças que não foram abortadas e nem evitadas.
Mas fiquei perplexo. Fiquei porque acho (ainda acho) que um médico ao tomar uma decisão como esta esgotou todas as possibilidades técnicas e éticas para evita-la. Acho que uma mãe que toma uma decisão como esta, tomou com uma tristeza que não é caracteristica de quem peca.
Mas o tal representante da igreja os excomungou. E estes agora fazem parte da listas de pessoas que incluem Charles Darwin e Galileu Galilei.
E o cidadão que cometeu o estupro, ironicamente não foi excomungado e agora faz parte da lista de pessoas que incluem vários e vários clérigos.
É uma pena que pessoas creiam que são representantes de Deus e que em momento que uma pobre criança precisa de amor, recebe nada mais que dogmas.
É uma pena que pessoas creiam falar em nome de Deus sem sequer crerem que ele existe.
É uma pena !
Mas por alguma razão tenho uma certa restrição a igrejas. Apesar de ser atuante em minha igreja, sou muito critico a ela e as alheias - Principalmente as que dividem a mesma fé. Me acho neste direito, uma vez que, como disse creio em Deus.
Fiquei muito perplexo com a atitude de alguns representantes da igreja catolica que resolveram excomungar a mãe e médicos que assistiram a menina de 9 anos engravidada pelo padrasto.
Fiquei perplexo porque acredito (e não mais creio) que a igreja catolica não é uma instituição que apenas dá conselhos sem po-los em prática. Um aspecto que poucos veem é que esta instituição é responsável por grande parte dos orfanatos que cuidam de crianças que de alguma maneira não foram assistidas por suas famílias.
Eu acho (e não mais acredito) que esta instituição quando diz que é a favor da vida e que é contra, por exemplo métodos contraconceptivos, não apenas diz, mas coloca a sociedade uma estrutura para abrigar crianças que não foram abortadas e nem evitadas.
Mas fiquei perplexo. Fiquei porque acho (ainda acho) que um médico ao tomar uma decisão como esta esgotou todas as possibilidades técnicas e éticas para evita-la. Acho que uma mãe que toma uma decisão como esta, tomou com uma tristeza que não é caracteristica de quem peca.
Mas o tal representante da igreja os excomungou. E estes agora fazem parte da listas de pessoas que incluem Charles Darwin e Galileu Galilei.
E o cidadão que cometeu o estupro, ironicamente não foi excomungado e agora faz parte da lista de pessoas que incluem vários e vários clérigos.
É uma pena que pessoas creiam que são representantes de Deus e que em momento que uma pobre criança precisa de amor, recebe nada mais que dogmas.
É uma pena que pessoas creiam falar em nome de Deus sem sequer crerem que ele existe.
É uma pena !
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